quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A Balsa - Stephen King (Parte 3)

Leia primeiro as partes anteriores:
Parte 1
Parte 2

LaVerne gritava. Randy se virou, em tempo de vê-la tapar os olhos melodramaticamente com uma das mãos, parecendo uma heroína de filme mudo. Pensou que ia rir e dizer-lhe o que imaginara, mas constatou que não conseguia emitir nenhum som. Tornou a olhar para Rachel. Praticamente, ela não estava mais lá. Suas contorções haviam diminuído, a ponto de não passarem de espasmos. O negrume espojou-se sobre ela — agora maior, pensou Randy, está maior, não há a menor dúvida — com silenciosa e muscular força. Viu a mão de Rachel agitar-se contra aquilo; viu a mão começar a ficar presa, como que aderida a melaço ou papel pega-moscas; viu-a desaparecer. Agora, havia apenas um senso das formas dela, não na água, mas na coisa preta, não se virando, mas sendo virada, a forma se tornando menos e menos identificável, um lampejo branco — ossos, pensou nauseado, e virou o rosto, vomitando inapelavelmente por sobre uma borda da balsa.

LaVerne ainda gritava. Houve então um pláft! surdo, e ela parou de gritar, começando a acalmar-se.

Ele a esbofeteou, pensou Randy. Eu queria fazer isso, lembra-se?


Recuou, limpando a boca, sentindo-se fraco e nauseado. E com medo. Tão apavorado, que só conseguia pensar com uma diminuta porção da mente. Em breve, começaria também a gritar. Deke precisaria esbofeteá-lo, Deke não entraria em pânico, oh, não, Deke era mesmo um herói, sem dúvida. Você precisa ser um herói do futebol... para arranjar garotas bonitas, cantarolava sua mente, com alegria. Então, ouviu Deke falando com ele e ergueu o rosto para o céu, tentando clarear a cabeça, tentando desesperadamente afastar a visão da forma de Rachel, tornando-se disforme e inumana enquanto a coisa negra a devorava, não querendo que Deke o esbofeteasse como esbofeteara LaVerne.

Olhou para o céu e viu que brilhavam no alto as primeiras estrelas, o formato da Ursa Maior já claro, enquanto a última luminosidade do dia desbotava no oeste. Eram quase dezenove e trinta.

— Oh, Cisco — balbuciou. — Acho que estamos com um grande problema desta vez...

— O que é aquilo? — Sentiu a mão de Deke em seu ombro, apertando, crispando dolorosamente. — Aquela coisa a comeu, você viu? A coisa a comeu, a maldita coisa a comeu toda! O que é aquilo?

— Não sei — disse Randy. — Não lhe falei antes?

— Pois devia saber! Você é um maldito inteligente, segue todos os malditos cursos de ciências!

Agora, era o próprio Deke que quase gritava, permitindo que Randy recuperasse um pouco mais de controle.

— Não existe nada como aquilo em todos os livros científicos que já li — explicou.

— A última vez que vi algo semelhante, foi no Show de Horrores do Dia de Bruxas, no Rialto, quando tinha doze anos.

A coisa agora recuperara seu formato redondo. Flutuava sobre a água, a três metros da balsa.

— Está maior — gemeu LaVerne.

Quando Randy a vira pela primeira vez, avaliara seu diâmetro em cerca de metro e meio. Agora, tinha pelo menos dois e meio.

— Está maior, porque comeu Rachel! — soluçou LaVerne, começando a gritar novamente.
— Para com isso ou eu lhe quebro o queixo — ameaçou Deke.

Ela parou — não imediatamente, mas pouco a pouco, como um disco, quando alguém desliga o aparelho, sem levantar o braço da agulha. Os olhos de LaVerne estavam esbugalhados.

Deke se virou para Randy.

— Tudo bem com você, Pancho?

— Não sei. Acho que sim.

— Rapaz... — Deke tentou sorrir e, com certo alarme, Randy viu que ele conseguia — alguma parte de Deke estaria achando aquilo divertido? — Você não tem nenhuma idéia do que tudo isso possa ser?

Randy meneou a cabeça. Talvez, afinal fosse mesmo uma mancha de óleo... ou havia sido, até ter-lhe acontecido alguma coisa. Poderia haver sido atingida por raios cósmicos, de algum modo. Ou, talvez, Arthur Godfrey urinara poeira atômica sobre aquilo, quem sabe? Quem poderia saber?

— Será que podemos nadar contornando a coisa? — insistiu Deke, sacudindo o ombro de Randy.

— Não! — gritou LaVerne, em voz estridente.

— Pare com isso ou acabo com você, LaVerne — disse Deke, erguendo novamente a voz. — Não estou brincando!

— Você viu com que rapidez aquilo pegou Rachel — disse Randy.

— Talvez estivesse com fome — respondeu Deke. — É possível que agora tenha perdido o apetite.

Randy pensou em Rachel, de joelhos na quina da balsa, tão quieta e bonita em seu sutiã e calcinhas. Seu pomo de Adão tornou a subir.

— Você procurou isso — falou para Deke. Deke sorriu sem vontade.

— Oh, Pancho!

— Oh, Ciiisco!

— Quero ir para casa — disse LaVerne, em um sussurro furtivo. — Está bem?

Nenhum deles respondeu.

— Acho melhor esperarmos que a coisa se vá — disse Deke. — Assim como veio, irá embora.

— Talvez — disse Randy.

Deke olhou para ele, o rosto tomado por forçada concentração, na penumbra ambiente.

— Talvez? O que é essa merda de talvez?

— Nós chegamos, a coisa chegou. Eu a vi chegar — como se nos farejasse. Se está saciada, como falou, irá embora. Acho. Se ainda quiser comer...

Randy deu de ombros. Deke ficou parado e pensativo, de cabeça agachada. Seus cabelos curtos ainda pingavam um pouco.

— Vamos esperar — decidiu. — Que essa coisa coma peixe! Passaram-se quinze minutos. Eles não falaram. A temperatura esfriava. Estaria pelos dez graus e os três encontravam-se apenas com roupas de baixo. Após os primeiros dez minutos, Randy pôde ouvir o vivo, intermitente chocalar de seus dentes. LaVerne tentara encostar-se a Deke, mas ele a recusara — com delicadeza, mas firmemente.

— Deixe-me sozinho agora — disse ele.

Ela ficou sentada, os braços cruzados sobre os seios, as mãos segurando os cotovelos, tiritando. Olhava para Randy, seus olhos dizendo que ele poderia voltar, passar os braços em torno dela, que tudo estava bem agora.

Ele desviou os olhos, preferindo concentrar-se no círculo escuro sobre a água. A coisa apenas flutuava ali, não se aproximando e tampouco afastando-se. Olhou para a margem e lá estava a praia, um crescente branco e fantasmagórico, que parecia flutuar. As árvores mais atrás formavam uma volumosa e escura linha do horizonte. Randy pensou que conseguia ver o Camaro de Deke, mas não tinha certeza.

— Nós apenas decidimos e viemos — falou Deke.

— Exato — disse Randy.

— Não contamos a ninguém.

— Não.

— Portanto, ninguém sabe que estamos aqui.

— Ninguém.

— Parem com isso! — gritou LaVerne. — Parem, estão me amedrontando!

— Feche essa matraca — disse Deke, com o pensamento em outra coisa, e Randy riu, a despeito de si mesmo — pouco importava quantas vezes Deke dissesse aquilo, ele sempre achava engraçado. — Se tivermos que passar a noite aqui, passaremos. Alguém ouvirá nossos gritos amanhã. Afinal, não estamos no meio do deserto australiano, não é mesmo, Randy?

Randy não respondeu.

— Estamos?

— Você sabe onde estamos — replicou Randy. — Sabe tão bem quanto eu. Saímos da Estrada 41 e percorremos treze quilômetros em uma estrada secundária...

— Com chalés a cada quinze metros...

— Chalés de verão. Estamos em outubro. Os chalés estão vazios, a maldita maioria deles. Chegamos aqui e você tinha que contornar o maldito portão, indicadores de PROIBIDA A ENTRADA a cada quinze metros...

— E daí? Algum zelador...

Deke parecia um pouco sem jeito agora, algo desconfortável. Com um certo medo, talvez? Pela primeira vez naquela noite, a primeira vez nesse mês, nesse ano, talvez a primeira vez em toda a sua vida? Ocorreu uma idéia cretina — Deke perde a virgindade de seu medo. Randy não tinha certeza de ser isso que acontecia, mas achou que talvez fosse... e sentiu um perverso prazer nisso.

— Nada para roubar, nada para vandalizar — falou. — Se houver zeladores, talvez só apareçam por aqui duas vezes ao mês.

— Caçadores...

— No mês que vem, não duvido — disse Randy e se calou de repente, porque também estava ficando com medo.

— Talvez essa coisa nos deixe em paz — disse LaVerne. Seus lábios esboçaram um leve e patético sorriso. — Talvez ela apenas... sabem como é... nos deixe em paz.

— Os tiras... — recordou Deke.

— Está se movendo — disse Randy.

LaVerne ficou em pé bruscamente. Deke aproximou-se de Randy e, por um momento, a balsa inclinou-se. O coração de Randy galopou no peito, apavorado, enquanto LaVerne tornava a gritar. Deke recuou um pouco e a balsa estabilizou-se, com a quina frontal esquerda (ao ficarem de frente para a praia) ligeiramente mais mergulhada na água do que as restantes.

A coisa aproximou-se com ginosa e aterradora rapidez. Enquanto se movia, Randy observou as cores que Rachel vira — fantásticos vermelhos, amarelos e azuis, espiralando sobre uma superfície de ébano semelhante a plástico frouxo ou escura, como couro. Subia e descia com as ondas, o que modificava as cores, fazia com que se fundissem girando. Randy percebeu que ia cair pela borda, diretamente sobre a coisa, podia sentir que se inclinava... Com a última força que lhe restava, levou o punho direito ao nariz — o gesto de um homem amortecendo a tosse, só que um pouco mais alto e com muito mais força. Seu nariz explodiu em dor, ele sentiu o sangue quente escorrendo pelo rosto. Então, conseguiu recuar, gritando:

— Não olhem para aquilo! Deke! Não o encare diretamente, as cores o deixam zonzo!

— Está querendo passar para baixo da balsa — disse Deke, com ar sombrio. — Que merda é essa, Pancho?

Randy espiou — espiou com o máximo cuidado. Viu a coisa focinhando a lateral da balsa, achatando-se no formato de meia pizza. Por um momento, pareceu empilhar-se ali, espessando-se, e ele teve uma alarmante visão daquilo ganhando consistência bastante para subir à superfície da balsa.

Então, a coisa negra espremeu-se sob ela. Randy julgou ouvir um ruído por um momento — um ruído áspero, como uma cortina de lona, das de enrolar, sendo puxada através de uma janela estreita — mas aquilo poderia ter sido produto apenas de seus nervos.

— Ela entrou debaixo da balsa? — perguntou LaVerne, e havia algo curiosamente despreocupado em seu tom, como se fizesse o máximo esforço para conversar, mas também estava gritando. — Está debaixo da balsa? Está debaixo de nós?

— Está — respondeu Deke. Olhou para Randy. — Vou nadar até a praia, imediatamente. Se essa coisa está aqui embaixo, acho que tenho uma boa chance.

— Não! — gritou LaVerne. — Não, não nos deixe aqui, não...

— Eu sou rápido — disse Deke, olhando para Randy e ignorando LaVerne inteiramente. — Só que, preciso ir enquanto ela estiver aqui embaixo.

Randy teve a sensação de que sua mente disparava em Mach dois — de uma forma ensebada e nauseante aquilo era estimulante, como os derradeiros segundos antes de sermos lançados na vertigem do passeio em um divertimento de parque de diversões barato. Havia tempo para ouvir as barricas se entrechocando ocamente debaixo da balsa, tempo para ouvir as folhas das árvores roçando secamente a uma pequena brisa, além da praia, tempo para perguntar-se por que a coisa tinha ido para baixo da balsa.

— Está bem — disse a Deke, — mas não creio que você consiga.

— Conseguirei — respondeu Deke, encaminhando-se para a beira da balsa.

Deu dois passos, e então parou.

Sua respiração ganhara rapidez, o cérebro deixava o coração e os pulmões prontos para nadar os mais rápidos cinqüenta metros de sua vida, e agora sua respiração havia parado, como todo ele, simplesmente cortada no meio de uma inalação. Virou a cabeça, e Randy viu salientarem-se os tendões em seu pescoço. 

Panch... — disse ele, em voz perplexa e sufocada, para então começar a gritar. Deke gritou com espantosa força, vigorosos gritos de barítono, que foram descendo a fantásticos níveis de soprano. Eram altos o bastante para ecoarem na praia, voltando em espectrais tons de mínimas. A princípio, Randy julgou que ele apenas gritava, mas depois percebeu que era uma palavra, duas palavras, as mesmas duas palavras, repetidas sem cessar:

— Meu pé! Meu pé! Meu pé! Meu pé!

Randy olhou para baixo. O pé de Deke apresentava uma estranha aparência rebaixada.

O motivo era óbvio, porém a mente de Randy se recusava a aceitá-lo de início — era impossível demais, insanamente grotesco demais. Enquanto olhava, o pé de Deke foi sendo puxado para baixo, por entre duas das tábuas que compunham a superfície da balsa. Então, viu o brilho escuro da coisa negra, além do calcanhar e dedos do pé, um vivo brilho escuro, com malignas cores giratórias.

A coisa agarrara o pé dele. (Meu pé! gritava Deke, como que confirmando tal elementar dedução. Meu pé, oh, meu pé, meu PÉÉÉÉÉÉ!) Ele havia pisado em uma das fendas entre as tábuas (pise em uma fenda e sua mãe ofenda, tagarelou a mente de Randy) e a coisa o prendera ali. A coisa tinha...

— Puxe! — gritou Randy, subitamente. — Puxe, Deke, que merda, PUXE!

— O que está acontecendo? — bradou LaVerne.

Vagamente, Randy percebeu que ela não lhe sacudia os ombros apenas afundara nele as unhas compridas como garras. LaVerne não seria de nenhuma ajuda, em absoluto. Deu-lhe uma cotovelada no estômago, ela emitiu um som semelhante a um latido, como que tossindo, e caiu sentada sobre o traseiro. Randy saltou para Deke e agarrou um de seus braços.

Era duro como mármore de Carrara, cada músculo projetando-se como a costela no esqueleto de um dinossauro esculpido. Puxar Deke era como tentar arrancar uma árvore enorme do chão, pelas raízes. Os olhos de Deke se erguiam para o púrpura-real do céu póscrepúsculo, arregalados e incrédulos, sem que ele parasse de gritar, gritar e gritar.

Randy olhou para baixo e viu que agora o pé de Deke desaparecera na fenda entre as tábuas, até o tornozelo. Aquela fenda não teria mais do que um centímetro de largura, certamente não mais que meio centímetro, mas o pé penetrara por ela. O sangue escorria para as tábuas brancas, em espessos regatos escuros. A coisa negra, como plástico aquecido, pulsava para cima e para baixo na fenda, para cima e para baixo, como um coração.

Preciso arrancá-lo. Preciso arrancá-lo depressa ou nunca chegaremos a arrancá-lo...
Controle-se, Cisco, por favor, controle-se...

LaVerne levantou-se e recuou para longe da árvore — Deke, que se contorcia e gritava no meio da balsa, uma balsa que flutuava ancorada, sob as estrelas de outubro, no Lago Cascade. Ela sacudia a cabeça aturdida, os braços cruzados sobre o estômago, onde levara a cotovelada de Randy.

Deke inclinou-se pesadamente contra ele, os braços tateando às cegas. Tornando a olhar para baixo, Randy viu o sangue jorrando da canela de Deke, que agora se afinava, como se afina a ponta de um lápis — só que a ponta do lápis aqui era branca, não preta, a ponta era um osso, que quase não se divisava.

A coisa negra impeliu-se para cima de novo, sugando, comendo.

Deke uivou de dor.

Nunca mais jogará futebol com esse pé, QUE pé? Ha-ha, e ele puxou Deke com todas as forças, mas ainda era como tentar arrancar uma árvore, com raízes e tudo. Deke pendeu novamente e agora proferiu um longo, estridente uivo, que fez Randy recuar, guinchando também, cobrindo os ouvidos. O sangue esguichava dos poros da perna de Deke; sua rótula tinha uma aparência purpúrea e intumescida, como se tentasse absorver a tremenda pressão colocada sobre ela, enquanto a coisa negra puxava a perna de Deke para baixo, através da estreita fenda, centímetro a centímetro. 

— Não posso ajudá-lo. Teria que ser muito forte! Não posso ajudá-lo agora, Deke, sinto muito, Deke, sinto tanto...

— Abrace-me, Randy! — gritou LaVerne, agarrando-se a ele por todo o corpo,enterrando o rosto em seu peito. O rosto dela estava tão quente, que parecia chiar. — Abrace-me, por favor, por que não me abraça...?

Desta vez, ele a abraçou.

Só mais tarde, Randy fez a terrível constatação: eles dois, com quase certeza, teriam nadado até a margem, enquanto a coisa negra se ocupava com Deke — e se LaVerne não quisesse, ele o faria sozinho. As chaves do Camaro estavam no jeans de Deke, caído na praia. Teria conseguido... mas essa certeza só lhe chegou quando era demasiado tarde. Deke morreu, assim que sua coxa começou a desaparecer na estreita fenda entre as tábuas. Parara de gritar agudamente minutos antes disso. Desde então, emitira apenas grunhidos roucos. Então, isso parou também. Quando ele desmaiou, caído para diante, Randy ouviu o que quer que restava do fêmur em sua perna direita, estilhaçar-se como um graveto sendo partido.

Um momento depois, Deke ergueu a cabeça, olhou em torno atordoadamente e abriu a boca. Randy pensou que ele fosse gritar novamente. Só que, em vez disso, ele lançou um grande jato de sangue, tão espesso, que era quase sólido. Randy e LaVerne foram salpicados com o calor do sangue e ela começou a gritar de novo, agora roucamente.

— Utntnq! — gritou ela, o rosto contorcido em quase enlouquecida repugnância. — Unnng! Sangue! Urnnacy, sangue! Sangue!

Ela se esfregou, procurando limpar-se, mas só conseguiu espalhar mais o sangue que recebera.

O sangue fluía dos olhos de Deke, esguichando com tal força, que eles se esbugalhavam quase comicamente, pela potência da hemorragia. Randy pensou: Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!

O sangue jorrou dos ouvidos de Deke. Seu rosto era um hediondo nabo purpúreo, inchado e deformado pela pressão hidrostática de alguma inacreditável inversão; era o rosto de um homem apertado pelas garras de um urso, dotado de monstruosa e desconhecida força.

E então, misericordiosamente, aquilo terminou.

Deke tornou a descambar para diante, os cabelos pendendo acima das tábuas ensanguentadas da balsa. Com nauseado espanto, Randy viu que até mesmo o couro cabeludo dele sangrava.

Sons por baixo da balsa. Sons de coisa sugando.

Foi quando ocorreu à sua aturdida mente, seu cérebro sobrecarregado, que poderia ter escapado a nado, com boa chance de ter êxito. Contudo, LaVerne pesava demais em seus braços, pesava como chumbo. Olhou para o rosto descomposto, ergueu-lhe uma pálpebra e viu apenas o branco de olho. Compreendeu então que ela não desmaiara apenas, mas caíra inconsciente, em estado de choque.

(Continua...)

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